Como disse Nassif em seminário do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, estima-se que de 20 a 25% da tiragem dos jornais e revistas da Grande Mídia sejam compostos por “assinantes-fantasmas”, pessoas que recebem as publicações mesmo ser pagar por elas - uma maneira que essas empresas de mídia encontraram para manter elevados os preços de publicidade em suas páginas.
por Lucas Santos
Índices de encalhe crescentes, além de representarem o prejuízo da não-venda, fazem com que o preço de publicidade cobrado pelos jornais e revistas despenquem, diminuindo duplamente a receita de seus proprietários. A “jogada” consistiria no seguinte: o IVC – Instituto Verificador de Circulação – só contabiliza como encalhe aqueles exemplares que retornam aos estoques. Dessa forma, pode se driblar as estatísticas do IVC, evitando que os jornais retornem a esses estoques; e assim se consegue manter os preços de publicidade no folhetim elevados.
Talvez as centenas – ou milhares - de jornais Estadão e Jornal da Tarde (ambos do mesmo grupo – não consegui fotografar os JT nesse dia) distribuídos gratuitamente por uma empresa de ônibus se insiram nesse contexto: a tiragem excedente de jornal pode ser repassada à empresa de ônibus, que, por atender um grande público, tem condições de escoar milhares de exemplares de jornais, todos os dias. Tudo isso dá a impressão de que a demanda pelos jornais se mantém estável, quando na verdade eles estão sendo distribuídos gratuitamente.
Pelo que averiguei junto a funcionários da empresa de ônibus, os exemplares são dados de brinde aos passageiros e, em troca, os empregados desses jornais podem viajar sem pagar passagem nas linhas que a empresa de ônibus atende.
Conforme vocês verão nas fotos abaixo, havia pilhas de jornais tanto no guichê da empresa quanto no terminal de embarque da rodoviária do Tietê (São Paulo - SP) – o que revela uma parcela dos milhares de exemplares de Estadão que podem estar encalhando.


Abaixo, revistas da Editora Abril também sendo distribuídas gratuitamente, desde que a pessoa tenha cartão de crédito. Como não uso desses cartões, não pude ter o incomparável prazer de receber uma Revista Veja – a última Flor do Fáscio. Como vemos, a coisa há de estar feia para a Abril também.

Orgia de Estadões
Ao entrar no ônibus e abrir a cortina, deparo-me, através do umido vidro, com a cena abaixo: uma verdadeira orgia de Estadões, jogados ao chão, numa espécie de ressaca pós-Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade.


Se souber de mais informações, publicarei aqui no blog. Por enquanto, torne-se um seguidor e aguarde os próximos capítulos dessa decadência do Partido da Imprensa Golpista – o PiG.



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